
Outubro de 2006. A atenção do mundo volta-se para a cidade de São Paulo. Fernando Alonso é campeão e Felipe Massa sobe no topo do podium, enquanto “Shummy” se aposenta.
Cenário perfeito para ações de guerrilha brilhantes como o carro da Red Bull sacolejando pela 23 de maio a 200 Km/h. Ouvi dizer que teve “marronzinho” do CET vendendo folhas de “multas” ao RBR como recordação.
Tudo lindo maravilhoso, bem organizado, ruas balizadas, filminho no YouTube, imprensa convidada, PR Stunt de gente grande.
Até que, não mais que de repente, toda a imprensa volta-se para uma ocorrência muito mais “diabólica”, muito mais “bandida”, muito mais “bad boys, bad boys, what you gonna do”.
Um grupo de 5 Lamborghinis Gallardo e Murcielago sai em fila do Salão do Automóvel de São Paulo, escoltadas por helicópteros e viaturas da Polícia Federal (nosso FBI).
O comboio de mais de 7 milhões de reais segue para um edifício da polícia seguido por dezenas de jornalistas com links ao vivo para a TV.
Uma platéia empolgada recepcionou os 5 supercarros que entraram pelo portão acelerando a toda. A frota dos sonhos alinhou-se no pátio em vagas já reservadas, como se fosse uma manobra ensaiada.
Quando as portas asa-de-gaivota se abriram, a platéia não resistiu. Aplaudiram com máximo entusiasmo.
Os mais bem apessoados policiais foram designados para guiar as supermáquinas. Todos de camiseta preta justa, de óculos Ray-Ban e coldre peitorais munidos de pistolas Glock.
Realmente, a fotografia ficou perfeita nos jornais e sites do mundo todo. Eram os Vin Diesel brasileiros fazendo justiça.
O Salão do Automóvel de São Paulo mostrou a sua cara para o mundo. A casa italiana Lamborghini, reforçou sua posição “bad boy” e, a polícia federal, no melhor estilo “Charles Bronson”, mostrou para todos quem é que manda por aqui.
A acusação para a apreensão? Não, não. Foi um engano. Os carros foram liberados em seguida.
Na minha modesta opinião, essa “ação” destronou a “Red Bull” na luta pela atenção da mídia.
Se é uma ação intencional ou não, nunca saberemos. E é justamente essa dúvida que cria a autenticidade fundamental para ações de guerrilha de grande impacto viral.
Daí vem a “pergunta básica da guerrilha”. Não vou contar qual é. Apenas Marcelo Vial está autorizado a dizer. Perguntem para ele.
Quem lembrar de outros cases de “Cop Marketing”, por favor comentem.