
A Red Bull parece realmente estar focando mais energias no mercado brasileiro. Isso é muito bom porque a marca tem a consciência de quem sabe que precisa fazer diferente e não apenas “falar” diferente para se comunicar com o público consumidor.
Depois de trazer ao Brasil o Red Bull Flug Tag (sob as asas do Luciano Huck, com trocadilho por favor) e da super volta de F1 em São Paulo, a empresa trouxe ao país a grande final do maior campeonato mundial de break-dance: o Red Bull BC One (aos mais ingênuos, um aviso: estou dizendo que ela trouxe a final ao Brasil porque sem patrocínio não teria campeonato e… logo, ela garantiu a existência da final por aqui).
Mais uma aula de posicionamento da marca: inovação e criatividade com foco no público jovem formador de opinião e criador de tendências que, convenhamos, acaba por criar uma onda de consumo do produto de forma natural e descontraída em momentos de lazer, prolongando o seu “prazer social” pelo maior tempo possível nas baladas nacionais.
Este patrocínio do BC One, em particular, chamou a minha atenção por um outro motivo: nenhuma marca havia efetivamente abraçado a cena Hip Hop. Calma. Algumas marcas desenvolveram alguns projetos aqui e ali bem legais, mas não podemos dizer que ocorreu uma apropriação da cena. Com a Red Bull, não sei não… Eu acho que eles pegaram a onda e vão surfá-la como poucos sabem fazê-lo. Vamos acompanhar as próximas edições do evento e os resultados na imprensa (que aliás parece ser a maior aliada da marca dentro da sua estratégia de disseminação).
Quem quiser saber um pouco mais sobre a cena Hip Hop no Brasil: aqui.

Exemplo de propaganda criativa encontrada nas ruas de São Francisco três semanas atrás. Três pontos são dignos de nota:
1. Foco no público-alvo. Obviamente é mais fácil esbarrar com empregados e gerentes do que com presidentes e CEOs na calçada. O precinho amigo, quase discriminatório, pega bem e faz uma moral com a classe trabalhadora carente de sapatos lustrosos.
2. Fica claro que quanto mais você sobe no organograma da sua empresa, melhor é tratado pela gramática. É preciso ser Gerente para ter a primeira letra em caixa alta, PRESIDENTE para ganhar o nome todo em capitulares e C E O para ganhar mais espaço entre letras.
3. Na frase”Ask about ‘THE’ 2 for 1 special” fica a dúvida: será que o
engraçadinho apresenta realmente uma promoção ou se refere ao pé direito e ao esquerdo?

Quantas vezes não ficamos na dúvida sobre o que comprar. São tantas opções e marcas de produtos concorrentes que muitas vezes ficamos perdidos.
Geralmente fazemos uma busca na internet e perguntamos a amigos que entendem do assunto sobre as possibilidades, entramos no orkut em busca de comunidades sobre os produtos e tudo mais. Os mais ousados procuram avaliações em fóruns e blogs.
No caso do mercado da fotografia, o Flickr acabou de dar mais uma opção de pesquisa: as câmeras mais usadas nas fotos exibidas pelo site. Dados fornecidos pelos próprios usuários ao fazer o upload das fotos (que já vão automaticamente com essas informações no arquivo). E nessa lista ainda dá link para páginas sobre as câmeras, mostra as fotos mais interessantes tiradas com aquele modelo e ainda mostra quais são as marcas mais populares e suas câmeras. Fantástico. Um serviço simples e muito bem feito. Acha que para nas câmeras? claro que não. Ainda há a lista dos celulares com mais fotos por lá também.
Olhando o gráfico podemos notar exatamente as curvas de consumo e utilização das máquinas e ainda dá para os fabricantes cruzarem dados com suas campanhas perceber quais câmeras dão mais retorno por boca a boca e quais precisam de campanha (se é que eles ainda não têm essa info). E isso acaba sendo mais uma possibilidade de lucro para o Yahoo, dono do Flickr, venda de dados sobre câmeras usadas, cruzando com a cidade de origem dos fotógrafos e muitas outras informações valiosas.
Enfim, mais um bom serviço do Flickr que já alegra o meu dia quando paro 20 minutos e viajo pelas fotos do Explore.

Rick Deckard, o personagem vivido por Harrison Ford no filme Blade Runner, vivia numa Los Angeles chuvosa e escura. As luzes vinham em geral das lanternas vermelhas da Chinatown futurista. E dos backlights que pareciam estar por toda parte. Enormes zepelins carregavam marcas multicoloridas e garotas propaganda tentavam atrair a atenção de humanos e replicantes por entre os prédios. Eis que parece este o futuro de São Paulo. Nosso prefeito, Gilberto Kassab, autor da lei que limita a mídia exterior, levou seu primeiro golpe. Li no blue bus que a Goodyear discute a competência da cidade de legislar sobre o espaço aéreo, liberando assim seu famoso zepelim e seu mais famoso logotipo. Como um raio de sol por entre nuvens, abre-se a primeira brecha na lei. O que virá depois? A capitania dos portos liberando enormes “barcosdoor” para navegar pelos rio Pinheiros e Tietê?
Uma frase. Na verdade, uma pichação em um muro lá em Macapá foi a semente para uma onda viral (”Xô Sarney“) que reteve a atenção do senador José Sarney presa à sua própria campanha ao senado no Amapá e bem distante da campanha da sua filha (senadora Roseana Sarney) ao governo do Maranhão.
O resultado: o Clã Sarney perdeu as eleições no seu maior reduto eleitoral (após 40 anos de consecutivas vitórias do seu grupo político) - a senadora que tinha 66% das intenções de voto nas pesquisas iniciais perdeu o governo para Jackson Lago.
Detalhe: segundo Antônio Melo, marketeiro responsável pela campanha, a campanha decolou mesmo quando José Sarney tentou censurar os sites proibindo a divulgação “dos fatos”. Aí o negócio teria tomado um vulto ainda maior (entenda: foi para a imprensa generalizada - TV, rádios e jornais).
Leia abaixo (reportagem de Victor Martino - Revista Veja:


Parabéns Antônio, sensacional! Mas na boa, só não colou a resposta sobre a remuneração… poderia ter sido mais criativa.

Hoje eu estava andando no Shopping D&D e quase tropecei numa mala maluca que ficava rodopiando sozinha no meio do corredor. Hilário! A mala era controlada por controle remoto e parecia se divertir com os clientes do shopping - ao passar por ela, algumas pessoas eram perseguidas. Não tinha como não rir.
Parei. Saquei o meu celular e fotografei a ação do site de viagem www.viajeaqui.com.br. Guerrilha simples, simplérrima. E que gerou um tremendo buzz na agência onde eu trabalho, além de um enorme recall para mim. Agora eu tenho um site novo para planejar as minhas viagens.

Mais uma maluquice que, no final, acaba fazendo sentido. Depois que o pessoal do Adbusters criou o Buy Nothing Day e o TV Turnoff Week, uns outros malucos criaram o No Music Day.
A idéia é bacana se pensarmos que volta e meia nos isolamos no nosso mundo com a trilha sonora que nos agrada. Não falamos mais com as pessoas ao lado. Não comentamos mais sobre a situação do país, sobre o absurdo que é ter apenas um caixa funcionando no banco em horário de pico e por aí vai.
Escolheram o dia 21 de novembro porque dia 22 de novembro é dia de Santa Cecília a padroeira da música.
Eu sou viciado em música. Sempre estou ouvindo alguma coisa e quando a bateria do meu iPod acabou de vez durante uma viagem, eu achei que iria enlouquecer.
Não sei se vou aderir à campanha mas gostei da sugestão.
Aliás, quem vai criar o No Cellphone Day?

Recebi em casa um belo exemplo de marketing direto “by the book”. A Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima mandou um envelope, carta, carta-resposta, boleto e brinde para a minha casa. A carta é personalizada e vejo meu nome em vários parágrafos. O quarto deles, por exemplo, diz assim: “Sr. James, este exemplar, que tenho prazer de lhe oferecer, é um dos primeiros que saiu da gráfica, e reservei para o Sr”. Claramente recebo um tratamento diferenciado! Perfeito. O p.s., tão importante no marketing direto - dizem que tem a maior taxa de leitura - resume a mensagem da carta e valoriza o calendário que recebo de brinde. Perfeito. O envelope, esqueci de mencionar, é todo vermelho e laminado. Chama muita atenção, não tem como não abrir. Perfeito. Numa lâmina que acompanha a carta - sempre com a imagem de Nossa Senhora - um boleto onde você pode escolher o valor para doação. Perfeito mais uma vez. O único problema, como em grande parte das ações de marketing direto, é o mailing. A Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima atingiu um ateu convicto em cheio.
p.s.: O site é muito bem feito também. Caso queira fazer uma doação…
Aqui vou eu. Parei para escrever. Mas, como isso é um Blog, não vou escrever sobre nenhum dos três temas que havia guardado para o CSP (escreverei em breve). Vou escrever algo que me deu na telha. Acontece que de repente percebi que estamos correndo sérios riscos de sofrer mutações genéticas irreversíveis no prazo de 25 anos. Conversando com alguns amigos bioquímicos, atinei que a grande controvérsia dos transgênicos é o fato de que nunca a espécie humana foi exposta por muito tempo a uma cadeia molecular inédita ou a um padrão de radiação diferente.
Ou seja, nunca um ser humano passou 35 anos (meu caso) comendo “tomates anticongelantes com omega 3″. E isso pode desencadear um processo de mutação genética indesejado. Isto posto, fiquei pensando que esse tipo de efeito cobaia ocorre com uma freqüência maior do que imaginamos. Então, resolvi isolar um exemplo que me deixou preocupado: Eu, que sou dos 70’s, faço parte da primeira geração do mundo que ficará exposta por longos períodos aos raios catódicos emitidos por monitores de computador. No comecinho dos 80, meu TK82 ficava ligado na TV da minha avó. Eu passava longas noites digitando códigos em BASIC a menos de 40 cm da tela.
Em seguida, meu Apple II (6502) me acompanhou por longos anos com seu monitor de fósforo verde. Convenhamos, fósforo verde, raios catódicos e cia devem fazer muito mal, não é possível. Daí, o PC XT, o Performa, o 8100, 9500, G3, G4, Pentium, etc. etc. Enfim, daqui mais 25 anos, serão 50 anos exposto todo santo dia a um banho intensivo de raios catódicos. Aplicando a teoria dos tomates anticongelantes, concluo que corremos sérios riscos. Ficaremos verdes? Teremos olhos de lince? Seremos tratados por psiquiatras especializados em SFV (síndrome do fósforo verde)?
Sempre que pego um briefing em que o público-alvo diz homens de 20-35 anos, penso que, na verdade, devo falar com adolescentes. Li certa vez que há 50 anos, um estádio de baseball estaria cheio de homens de chapéu – homens, adolescentes e crianças. Todos, independente da idade, tentando passar a imagem de adultos sérios e trabalhadores. Hoje, o mesmo estádio está cheio de homens de boné e camiseta. Todos, independente da idade, tentando passar a imagem de adolescentes, de jovens eternos. Peter Pans de tênis, viciados em Playstation e outros brinquedos caros. O jornal inglês Telegraph fez uma matéria interessante sobre esse drible na idade adulta. A matéria se baseou no livro “Big Babies” de Michael Bywate. O mais divertido é uma lista de como ser um adulto. Traduzi um dos parágrafos do texto:
Desconfie de qualquer texto-chiclete, de fácil construção e compreensão. Seja ele o “Eixo do Mal”, slogans de propaganda ou políticos (“Deixa o homem trabalhar” n.a.). Estes textos pegajosos existem para disfarçar o motivo verdadeiro ou evitar que você pense. Adultos conseguem pensar por si próprios.