Casamento turbulento
Quando comecei a ouvir sobre a fusão da Draft com a FCB, fiquei imaginando que bicho sairia dali. Geralmente, as agências de marketing direto são tidas como a ponta mais fraca. Todo mundo logo imagina que qualquer união entre uma agência de propaganda e uma de marketing direto será liderada pela agência movida pelo rico dinheirinho da mídia.
Com a agência de Howard Draft a coisa foi um pouco diferente. A começar pelo nome. É Draft FCB e não o contrário.
Não sei muita coisa sobre como andam as coisas aqui no prédio do lado da gente (a Giovanni, FCB fica logo aqui ao lado do prédio da Salem), mas lá nos States a coisa não vai muito bem. A Adweek fez uma matéria longa sobre a fusão e alguns blogs começam a comentar sobre as primeiras rusgas do casamento.
Um ex-funcionário da FCB descreveu o astral na sede da FCB em Nova York como “deprimente”. Disse também que “todos sabiam desde o início que a Draft lideraria o processo, mas ninguém poderia imaginar que Howard Draft jogaria a herança de 100 anos da FCB no lixo.”
Outra fonte disse algo bem interessante: que os alto executivos da Draft estavam tendo certa dificuldade em estabelecer um relacionamento profissional com o pessoal da FCB. De forma geral, os atendimentos da Draft não estão acostumados a lidar com CEOs. Disse que “eles não são muito bons em subir na cadeia alimentar”. Querendo dizer, claro, que o pessoal do marketing direto acaba lidando com o baixo escalão nas empresas.
A fusão do departamento de criação das duas agências também é um tópico sensível. O CCO da DraftFCB NY, Chris Becker, insiste que ambos os lados gastem algum tempo por semana apresentando seu tipo de approach criativo, na tentativa de catequizar as partes e começar o trabalho de integração definitiva.
Integração, me parece, é algo mais fácil de colocar no discurso do site da agência ou numa apresentação de power point do que na hora do vamos ver. O dia-a-dia é implacável com o excesso de ângulos. A visão 360º, diz a piada, é aquele job que você passa para uma outra área e que faz um giro completo pela agência e volta para sua mesa do mesmo jeito que você mandou.


A verdade é que o Marketing Direto é muito chato. Muito chato para levantar a moral de CEOs e afins. Os caras querem ter sua imagem atrelada a grandes campanhas e sacadas. Eles são tão ou mais vaidosos do que as aves raras criativas da propoaganda. Ninguém tem paciência pra ficar na velha estratégia ” vai malinha / vem resposta / vem repique / cadê a lista / o que é ROI /telemarketing…
Comentário de sapiro — 5, Abril 2007 @ 9:43 am