O slogan do Banco Central
O Banco Central precisa de um slogan? Esta é a pergunta que o José Paulo Kupfer faz hoje no site nomínimo. Lançado numa campanha milionária de R$ 8 milhões, foi chamada de campanha de utilidade pública. A sua agência chegou ao slogan: Banco Central do Brasil, cada vez mais valor para o brasileiro. Sensacional. Com o Real forte então… uma maravilha. E não coloque a culpa no Lula, não. Em tempos de FHC o slogan era: Banco Central do Brasil, cuidar da moeda é o nosso forte. Muito bom também, diz tudo.
Confesso. Estou sendo irônico.
O Banco Central não precisa de slogan. Mais que isso: empresa nenhuma precisa de slogan. Uma marca precisa sim de um bom posicionamento. Truques e brincadeiras com palavras são totalmente dispensáveis. Usar os dois significados da palavra forte - o da força e o da fortificação - pode parecer muito inteligente, mas não agrega muito. Ninguém vai escolher este ou aquele Banco Central, é tudo que temos. Se é para ter um slogan, que seja um que inclua o Governo Lula de forma geral. O problema é que não seria um slogan e sim um projeto para o País. E aí a coisa complica de vez e saimos da crítica da propaganda e dos slogans e entramos em um universo nebuloso. Projeto para o País não é, definitivamente, o nosso forte.
O que diferencia então o slogan do posicionamento? Tomemos a Guinness - como exemplo e não como cerveja. Logo abaixo de sua marca, encontramos as palavras Good things come to those who wait (Aqueles que esperam serão bem recompensados). É um ditado popular transformado em.. bem, um slogan, mas que não é simplesmente um grupo de palavras espertas lado a lado, é muito mais. Todo bom bebedor sabe que a espuma de Guinness leva tempo para subir depois de tirado, então, aqueles que agüentam a ansiedade e esperam o ponto certo de uma pint de Guinness, serão recompensados com o seu sabor amargo inconfundível. Ou seja, aquele amontoado de palavras diz tudo que precisa ser dito. E é a base para todos os seus filmes e peças publicitárias.
Não sei se ficou muito claro, é uma grande discussão, mas gostaria de ouvir a opinião do eventual leitor sobre as diferenças entre slogan x posicionamento. Em tempo: o texto do José Paulo termina de forma muito engraçada, vale reproduzir aqui:
Quem sabe numa próxima campanha o BC não adote um slogan do tipo “Banco Central, o banco que vale por um bifinho” ou “BC, o banco que desce redondo”. E você, que slogan daria para o BC?

