Carreira de modelo também nas agências.
Quantas pessoas de 60 anos você vê trabalhando na sua agência?
Ok. E de 50 anos?
Alguém aí já viu algum sujeito que se aposentou numa agência de propaganda? Bom, começa que pra isso o cara tem que ter carteira assinada.
Estou realmente preocupado com a longevidade dos profissionais do nosso ramo. Começo a acreditar que nossa carreira é como de modelo. É curta.
Tem publicitário que abre a própria agência e se dá bem. E o resto? Conheço um que abriu um petshop no Itaim. Tá indo bem. Mais tranquilo do que o outro que abriu a agência.
Não sei se abro minha própria agência ou um petshop, mas sei que devemos pensar no caso, não acham?

Num mercado ditado pelas tendências e tal acho que esse tipo de percepção acontece mesmo.
1- muita gente não aguenta o ritmo frenético das agências
2- quem abre agência, geralmente é aquele que percebeu que não é mais garoto e que é melhor se contratar do que depender da contratação dos outros. É uma maneira até de ele poder organizar melhor seus horários.
O que vejo não é só publicitários abrindo petshops, vejo vários profissionais saindo do seu ramo original para tentar a sorte em outros e com negócio próprio.
A dúvida é: Será que é a carreira na publicidade ou é o ritmo de vida que temos hoje?
Comentário de Daniel Sollero — 7, Junho 2007 @ 2:28 pm
Dá pra fazer uma tese sobre esse post. Algumas observações:
- Os jornalistas e funcionários graúdos de bancos de investimento, que têm uma vida tão sem regras quanto a nossa, são respeitados pela estrada, assim como médicos, engenheiros, advogados.
- Ao contrário das categorias acima, quando vc entra em uma agência não tem tempo e pique pra fazer cursos e se atualizar.
- Em agências familiares, a vida útil de um publicitário é um pouco mais longa. Em multinacionais, mandam você pra rua sem dó.
- Os publicitários mais esclarecidos sabem que a carreira é curta e têm aplicações, uma previdência privada e vivem pensando em um plano B. Por exemplo, um agasalho Adidas por mês representa R$ 1.500 reais de renda mensal aos 55 anos.
- Mas o mais triste de tudo é, com todo respeito às classes citadas, ver de que lado estamos: ex-jogadores abrem escolinhas de futebol, ex-prostitutas abrem “casas de facilidades” (atualmente também escrevem livros) e publicitários abrem suas agências.
Comentário de Cezar — 11, Junho 2007 @ 11:34 am
Pitchu,
Tenho pensado muito sobre isso. Comecei a me irritar com aquelas pessoas que falam que vão abrir uma pousada em alguma praia que agora é desconhecida, mas que no próximo verão estará entupida da mais nova geração “wanna be”. Pousada já encheu! Petshop é nova. Gosto mais! Eu quero, sinceramente, não trabalhar quando tiver 60 e uns. Quero fazer só o que gosto mesmo e se eu puder tirar um troco disso tá valendo. Estou dando muito valor a máxima de meu pai, engenheiro e atual professor universitário: “Eu não trabalho, só dou aula”
abs…
Comentário de abelardo — 11, Junho 2007 @ 3:10 pm
opinião de quem nem bem começou e já pensa no fim: se você é redator, mas gosta mais de pets do que de escrever, abra um petshop. se não, continue brincando de embaralhar letras. você pode se tornar um best-seller milionário, um poeta marginal, um revisor fetichista ou um roteirista bem-intencionado. e se achar que é a hora, faça como o pai do abelardo aí em cima: venda o que você sabe, não o que você pode fazer.
Comentário de andré bandim — 17, Junho 2007 @ 7:59 pm
Eu já cheguei a pensar nisso também. Aliás, já fiquei muito preocupado com isso. Fico mais preocupado ainda qdo vejo q meninos novos, de 18 anos, q não são formados em nada, praticamente nada, já são melhores q eu e q muitos outros designers faz tempo, consequentemente, ganham muito mais q eu tb. Como eu ficaria com 50 anos? Eu teria q virar DC?
Por isso eu pensei, errado ou não, em tentar não pensar nesse futuro porque se não posso ficar louco com tudo: “Vou conseguir educar e dar pro meu filho o necessario para ele ser uma pessoa boa, humilde, de bom carater, etc…?”, “Será q depois de 10 anos tomando Filasterinda, meu pinto nao vai subir mais e minha esposa vai me trocar pelo Ricardão?”, “Será…”, “Será…” e “Será…”?
Bom, melhor deixar as coisas aparecerem na minha cabeça, no momento certo, na hora certa.
Comentário de Lula — 18, Junho 2007 @ 5:24 pm