Edit, remix, plágio, chupadas e cia.
[video]http://www.youtube.com/watch?v=rvjRNYqV4ds[/video]
Baixamos uma imagem outro dia de uma página qualquer do Flickr. Era perfeita para fazer o layout de um job aqui da agência. Daí flipamos horizontalmente, trocamos a cor da camisa e a cabeça da modelo - tá bom, confesso, a imagem não era tão perfeita assim… Mas foi lá no Flickr que tudo começou e muito da imagem original continuava presente na foto que acabou compondo o layout e indo para o cliente.
De quem é esta imagem? Como e por que pagar por seus direitos? Percentualmente?
Outro exemplo: Pilooski, um francês de 34 anos, pegou uma faixa meio obscura da banda dos anos 60 Frankie Valli & The Four Seasons e criou o hit europeu do momento: Beggin. Fez o que chamam de “edit” para criar um hit tão hit como foi “Crazy” em 2006. O termo “edit” é parecido com o remix mas, como diz o jornalista da Folha Thiago Ney, “enquanto o remix não precisa necessariamente ter uma relação formal com a música original, o ‘edit’ deve preservar a estrutura básica da canção.” Ou seja, Pilooski pegou um música existente (como a imagem do Flickr), conservou os vocais de Valli, grande parte da sua instrumentação e adicionou alguns efeitos eletrônicos (como fizemos com o Photoshop na imagem).
De quem é o hit Beggin? Como será que Pilooski vai pagar pelos direitos?
O último exemplo pode ser encontrado na Piauí deste mês. Um belo texto da jornalista Daniela Pinheiro, que mostra algumas das chupadas homéricas que podem ser encontradas nos desfiles da SPFW, do Fashion Rio e outros destes grandes happenings do mundo da moda brasileiro. É de ficar bem chocado com as similaridades entre uma peça da Chloé, grife parisiense, que desfilou no corpo de uma modelo em outubro de 2005 e a peça exibida pela grife da estilista carioca Layana Thomaz no ano seguinte. Leia o artigo e tire suas conclusões.
Definitivamente o século 21 deu uma boa esculhambada no direito autoral. Sabe que até acho isso bem interessante? Também adoro neologismos… mas isso é conversa para outro post.
Em tempo: parece que Pilooski vai tocar dia 23 no Vegas aqui em São Paulo.

É por isso que as pessoas devem conhecer o Creative Commons (ww.creativecommons.org.br) É uma iniciativa que deixa tudo bem mais claro e dá mais opções ao engessado copyright.
Os videos do site internacional do CC são bem ilustrativos. Recomendo.
Comentário de Daniel Sollero — 18, Junho 2007 @ 8:12 am
Edit, remix, plágio, chupadas e cia.
Esse podia ser o slogan da Salem!
Comentário de Ahvá — 18, Junho 2007 @ 9:45 am
Podia ser também o slogan de qualquer artista.
Veja bem, não estou dizendo que plágio é bom ou que deva ser incentivado no processo criativo, mas a influência de outras pessoas que estão trabalhando na mesma frequência ou respirando o mesmo ar rarefeito, é inevitável. Como diria Picasso: “Bons artistas emprestam, grandes artistas roubam.”
Comentário de James — 18, Junho 2007 @ 3:09 pm