
Cliquei alguns dias atrás em um desses endereços que costumo visitar de vez em quando, um blog americano de tendências (palavrinha infeliz com um baita cheiro de publicitário picareta, confesso) e encontrei um pequeno e misterioso post: wolf t-shirt, check out the comments. Traduzindo: camiseta do lobo, veja os comentários. Fisgado pelo nonsense da frase, levei o mouse ao link e de lá fui imediatamente transportado para um universo à parte.
O site não tem nada demais, é na verdade uma loja virtual que vende camisetas de diversas estampas, com aquele ícone de um carrinho de supermercado no canto superior. Mas foi ali que me deparei com o culto ao wolf t-shirt, que tentarei reproduzir aqui para os leitores que estiverem me acompanhando. Era mais ou menos como o fenômeno recente dos fatos sobre o ator americano Chuck Norris, a diferença é que aquela camiseta seria capaz de transformar um cidadão comum em uma máquina de sexo.
O restante do texto aqui.
Fiz esse post lá no MaWá com W, mas acho uma boa referência para trazer aqui. E em épocas de Cidade Limpa, fica o velho questionamento: arte pode?
Desde janeiro deste ano, a artista plástica Tanya Serra ‘perde’ esculturas por Barcelona. Ela as deixa em algum lugar da cidade e, em seguida, usa cartazes bem simples para divulgar:

Os cartazes direcionam ao site Cera Perdida, que explica um pouco mais do projeto. O que mais me intrigou foi que qualquer um pode levar a estátua para onde quiser: pode ganhar um presente pra casa, pode vender na esquina ou pode simplesmente utilizá-la para prender a bicicleta. Só em Barcelona mesmo.
Eu sempre fui simpatizante da idéia de fazer da cidade uma exposição a céu aberto. Mas não se pode negar que essa é uma maneira interessante - e cara - de divulgar o próprio trabalho.
De carona no post abaixo, uma observação sobre as apresentações que assisti esse ano.
Das maiores agências brasileiras até agências digitais gigantes como a Razorfish, ninguém caprichou no powerpoint. Todos com fundo branco, um logo discreto da agência e conteúdo diagramado com muita simplicidade.
Embora eu seja partidário do conteúdo maior que forma, é de estranhar para uma área que vive vendendo apresentações mirabolantes e até em vídeo e Flash.

O Michel Lent fez uma palestra no 12º Encontro de Web Design, organizado pela Arteccom, em Curitiba. Não estive presente, mas um dos slides que ele disponibilizou lá no Viu Isso? me chamou a atenção:

Tanto se fala em interatividade, participação do usuário, conteúdo gerado pelo consumidor - e constantemente esse gráfico aí é esquecido. Às vezes fico com a impressão de que quem planeja ações interativas fica tão empolgado com as maravilhas tecnológicas que dão o poder ao povo que acaba esquecendo que esse mesmo povo não aprendeu ainda a subir um vídeo no You Tube. E não há nenhum problema nisso. Só não dá para esperar um belo retorno da ação se o público não está nessa onda ainda.
Há um tempo atrás rolou uma discussão no Radinho sobre blogs e flogs de adolescentes. A discussão não era exatamente sobre isso, mas passou por esses pontos, de ‘quem escreve para esse público, um público que adora letra verde-limão em fundo roxo? Como pode isso?’. Ora, quem escreve para esse público é o próprio público. E eles vão continuar escrevendo em letra verde-limão com fundo roxo, até o dia em que virarem adultos geeks gostarem mais de letra cinza em fundo branco. Ou não.
Ah, vejam a apresentação inteira do Michel. Tá bem bacana.
Saiu na edição deste mês da Computer Arts: em uma pesquisa feita com estudantes de comunicação que se formam em Londres, apenas 10% se especializam em mídias digitais. Segundo cálculos da revista, por lá a cada ano se formam aproximadamente 17.000 pessoas, ou seja, entram 1.700 pessoas no mercado de trabalho digital. O que é insuficiente para atender à demanda e ao crescimento da área. Esse fenômeno não acontece só lá, como também nos EUA: a Razorfish já é obrigada a procurar profissionais fora do país.
Aqui no Brasil, com o grande crescimento da demanda, já faltam bons profissionais. Um reflexo disso é que começa a funcionar a lei da oferta e procura: os salários estão subindo e muitas pessoas preferem até viver de freelas.
Respeitadas as proporções, depois do apagão de eletricidade e apagão aéreo corremos o risco de viver um apagão digital?
Como vocês leram no post do Daniel, abaixo, os compradores precoces do iPhone ficaram malucos com a repentina queda de 200 dólares no preço do modelo de 8Gb. Não é para menos. Num dia você paga 599 e no outro, anunciam o novo valor, 399. A Nokia não perdeu tempo, mandou guerrilha pra cima da Apple, e, os usuários não economizaram em posts, e-mails e tudo mais que se pode fazer em um ambiente de comunicação bidirecional.
Hoje, li um destaque na capa do site da Apple sobre a resposta de Stevie Jobs aos compradores do iPhone. Achei muito legal. Ele explica o porque da redução e dá 100 dólares em “rebate” para gastar na Apple Store.

Não que as palavras e o crédito dado por Jobs tenham me impressionado. Nada disso. O que chamou muito minha atenção é a velocidade e a dinâmica de ataque e resposta das empresas. A Apple pisa na bola num dia. No outro o concorrente incendeia a internet. No outro os clientes se mobilizam. No outro a Jobs recua. Demais!
Consumo, comunicação e concorrência na era digital. Show.

A Nokia não esperou ninguém para começar a contra atacar a Apple. Após o anúncio da queda de preço em US$200 do iPhone e da repercussão negativa nos fóruns da Apple, a Nokia comprou anúncios em links patrocinados do Google para buscas relacionadas a termos relacionados a queda de preço para comunicar a sua rede social Mosh.
Identificando que os early-adopters (que compraram ou pretendem comprar o iPhone) têm papel fundamental na decisão do resto do mundo, esse era o momento ideal para fazer um approach. Bela oportunidade que não foi desperdiçada.
Não é a primeira vez que usam uma campanha em links patrocinados para fazer barulho mas acho que é a primeira vez que uma grande empresa reage tão rapidamente e de forma tão guerrilheira.
Uma semana depois do lançamento do seu celular que usa tecnologias presentes também no iPhone e do reconhecimento de que as coisas boas devem ser usadas nos seus produtos, a Nokia conseguiu me impressionar. Na real, nem sei porque já que inicialmente a Nokia começou como uma empresa de papel e borracha antes de er reconhecida na telefonia móvel.
Noticia e imagem via Techcrunch

Essa semana tive a primeira noção de que as gerações anteriores não existem ou existem pouco no Google. Estou ficando velho mesmo.
Em um papo sobre gírias e jargões lançados pela TV com o Vial, aqui na agência, lembrei do Monsieur Lima (ou Messiê Limá), apresentador do programa Som na caixa na TV Corcovado. Foco total no funk carioca.
Não curto funk carioca, acho bonde do rolê uma brincadeira sem graça mas é indiscutível, pelo menos para os cariocas, a existência desse precursor do funk carioca.
Voltei para a agência determinado a ver os vídeos do Som na caixa ou qualquer outra variação do programa e que ele tivesse apresentado.
Fui pro YouTube e nada. Fui no Google e pouca coisa existia. Yahoo!Cadê? idem. Google Images e nenhuma imagem apareceu. Apenas no wikipedia em português achei uma menção a ele como apresentador do programa.
Um texto do Ed Motta falava dele, letras da Fernanda Abreu também e outro sobre funk do Baixada Fácil. Coloquei Messiê Limá e achei um texto (e a foto que ilustra o post)
Um dos grandes nomes da discotecagem nos anos 70, era do carioca Monsieur Limá (pronunciava-se Messiê Limá). Limá foi um dos primeiros DJs brasileiros a ir para a televisão. Ele apareceu em vários programas da extinta TV Tupi até ganhar seu próprio programa.
Esse maranhense baixinho e de roupas espalhafatosas, sapatos plataforma e muita atitude ganhou fama com suas coletâneas de disco music.
Apesar de não ser um expert em mixagens ou viradas, Limá marcou pela ousadia e pela postura em frente ao público e à camera de TV. Monsieu Limá faleceu em 1993, aos 50 anos.
Agora vem a dúvida. Será que hoje somos totalmente escravos dos mecanismos de busca on-line? Será que nós estamos apagando capítulos importantes e representativos da nossa cultura? Será que o Overmundo consegue recuperar essa memória? Ou será que a massa funkeira não tem acesso aos primórdios do funk porque à internet eu sei que eles têm. O Caldeirão do Huck que o diga.