Coletivo Sem Papas

7, Dezembro 2007

Quinoterapia

Arquivado em: Dica de Leitura — James Scavone @ 3:30 pm

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Laerte que me perdoe, mas o meu cartunista preferido é um senhorzinho chamado Joaquín Salvador Lavado. Digo senhorzinho com todo respeito, porque nasceu em 1932, uma data cada vez mais distante, e também porque nunca o vi ao vivo e imagino que se pareça com o homenzinho narigudo e de pouco cabelo de seus cartuns. Joaquín Salvador Lavado é Quino, o pai da Mafalda.

Só que não é sobre Mafalda que quero falar, me refiro àqueles outros quadrinhos, que parecem autobiográficos, mais cotidianos, situações que surgem quando um argentino comum observa a mesa ao seu lado e desenha a maneira como o vizinho pede um café para o garçom. Era uma criança de dez ou onze anos quando conheci Quino, esse argentino de Mendoza. Andava deslumbrado entre as estantes e mesas de uma feira de livros quando ganhei de meu pai uma edição chamada Quinoterapia. Lá descobri um cara que ironizava algumas situações de hospital, de sala de espera, da relação médico-paciente. Conheci um humor que não era feito para dar altas gargalhadas. Era algo diferente, me sentia observado, como se alguém estivesse me olhando ao limpar o ouvido usando um cotonete.

(Continua aqui.)

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