Primeiro o artista foi divulgado como o cara que matou um cachorro em nome da arte. Deixou o pobre coitado encoleirado numa galeria, até ele morrer de fome. Escândalo. A possível repetição da obra repercutiu mais ainda: petições, ONG´s e justiceiros online procurando evitar mais uma morte de um cão. Quer dizer, evitar dentro da galeria, já que não fazem nada por os outros tantos que morrem nas ruas.
Foi justamente com esse discurso que o artista e a galeria se reportaram à mídia, dizendo agora que isso não passa de um hoax. Verdade ou mentira, a questão cai mais uma vez na credibilidade da mídia. E não falo apenas de mídia tradicional (sem essa de atazanar jornalistas). A nova mídia, construída e destruída por todos também é agente de tudo isso, repassando informação que não necessariamente é verdade. Os fatos são rápidos, o modo de produção também, leva quem postar antes. Ou você nunca caiu num hoax?
A grande preocupação é até onde as pessoas diferenciam esse caráter deletável das informações da web, um terreno onde muita coisa não tem compromisso com a verdade. Aliás, onde muita coisa não tem compromisso com nada. Afinal, o que é verdade mesmo?
Os irmãos Lumière mudaram o mundo com o conceito deles de cinema. Ok, para a época isso era extremamente relevante. Mas o conteúdo do filme em si? Uma viagem de trem. Nada mais que isso. Conteúdo ignorável, tecnologia fascinante. Humm, isso me lembra algo.

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