Olhar estrangeiro

Sidney Pink é americano e vive há alguns anos no Japão. Diz que observar uma cultura totalmente estranha o fez evoluir como artista plástico. Olha atentamente as colegiais japonesas no metrô e o jeito como apoiam as mãos nas pernas. E coloca essas meninas de saia e meia ao lado de um astronauta retrô americano em suas obras. Interessante o poder do olhar estrangeiro na criação e na eterna busca pela originalidade. Já pensei em me hospedar em um hotel em algum canto distante de São Paulo e fingir que era turista. Acordar, olhar o mapa e sair andando e fotografando e fazendo compras na região do hotel. Ficar olhando atentamente as moedas de real para não errar na hora de pagar, como se fosse uma unidade monetária exótica…

FFFFound FFF***cked my afffternoon

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A piada aqui na ag_407 é que não dá para abrir o ffffound porque você vai acabar ficando a tarde inteira por lá. Confesso que fico até com um pouco de raiva vendo tanta coisa boa. Viro para o diretor de arte mais próximo e falo: “por que a gente não faz mais coisas assim?”. O cara não me ouve porque também está com os olhos fixos na página do ffffound e um fone de ouvido.

Daí descobri um artigo de um cara comparando o ffffound com o falecido Napster. Diz ele que a mesma coisa que aconteceu com a música depois dos sites P2P está acontecendo com o universo do design. A tendência é que as pessoas parem de comprar livros de design como deixaram de comprar CDs. Mais um que decreta a morte dos livros. Mas o texto é bacana e vale a leitura. Clica aqui e dá uma olhada.

Hitchcock por Scorcese

Já gostava de Martin Scorcese por causa de seu nome. Ele é Martin como eu sou James e é Scorcese como eu sou Scavone. Essa coisa toda de ter um nome anglo-italiano faz mais sentido perto do seu nome de bombeiro novaiorquino. Mas esse filme para Finca Freixenet criado pela JWT da Espanha me deixou ainda mais a favor do diretor americano, que mostrou ter um baita senso de humor. Notem o tom azul do terno do personagem principal. Não poderia ser mais hitchcockiano. (via Pedro Doria)

Quinoterapia

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Laerte que me perdoe, mas o meu cartunista preferido é um senhorzinho chamado Joaquín Salvador Lavado. Digo senhorzinho com todo respeito, porque nasceu em 1932, uma data cada vez mais distante, e também porque nunca o vi ao vivo e imagino que se pareça com o homenzinho narigudo e de pouco cabelo de seus cartuns. Joaquín Salvador Lavado é Quino, o pai da Mafalda.

Só que não é sobre Mafalda que quero falar, me refiro àqueles outros quadrinhos, que parecem autobiográficos, mais cotidianos, situações que surgem quando um argentino comum observa a mesa ao seu lado e desenha a maneira como o vizinho pede um café para o garçom. Era uma criança de dez ou onze anos quando conheci Quino, esse argentino de Mendoza. Andava deslumbrado entre as estantes e mesas de uma feira de livros quando ganhei de meu pai uma edição chamada Quinoterapia. Lá descobri um cara que ironizava algumas situações de hospital, de sala de espera, da relação médico-paciente. Conheci um humor que não era feito para dar altas gargalhadas. Era algo diferente, me sentia observado, como se alguém estivesse me olhando ao limpar o ouvido usando um cotonete.

(Continua aqui.)

A solução final

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Recentemente, o Cezar fez um post sobre cartões de Natal. Talvez a solução final seja esta daí em cima. Tipo genérico: contempla as festas cristãs, judias, muçulmanas e até algum evento ateu de final de ano. Quisera eu ter pensado nisso antes.

A Paris de Atget revisitada

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Volta e meia vemos uma foto na Vejinha tentando reproduzir o ângulo de uma foto tomada no começo do século XX. Digo tentando porque em primeiro lugar, o ângulo e a lente nunca são exatamente os mesmos e, depois, porque São Paulo costuma ser muito mutante para guardar os mesmos pontos de referência. Árvores, casas e quarteirões inteiros desaparecem e dão lugar a avenidas ou outras árvores, casas e quarteirões.

Eis que dou de cara com um livro bastante interessante: Paris Changing: Revisiting Eugène Atget’s Paris, do fotógrafo americano Christopher Rauschenberg. A idéia foi refazer os passos do francês Eugène Atget, que passou anos - de 1888 a 1927 - fotografando as ruas de Paris e produziu um documento histórico (e artístico) da cidade francesa. E o americano seguiu o seu caminho e fez fotos nos anos 90.

Fiquei com muita vontade de conhecer por dentro este livro da editora Princeton Architectural Press. Aqui por US$ 40,00.

Logos flutuantes

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Será que o Kassab aprova esse drible na Lei?

De onde vêm os coelhos?

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Depois das bolinhas nas ruas de São Francisco e depois da explosão de tinta vieram os coelhinhos de massinha. A Camila colocou o novo filme no Coletivo, uns dois ou três posts abaixo. Quando vi achei muito bom. Mega-produções dos Cecil B. de Mille da propaganda. Quando vi o filme dos coelhinhos, vi também o making of e deu vontade de estar ali fazendo massinha, participando…

Hoje, a magia foi quebrada. Pelo menos para mim. É claro que todo publicitário é uma esponja (eu inclusive) e está sempre absorvendo referências. Eu abro o FFFFound e fico louco com aquele monte de idéias, fico colocando cada imagem à serviço de um cliente aqui da agência. Mas acho que a Sony e a Fallon abusaram um pouco. Li que eles chegaram a entrar em contato com um grupo de artistas de Los Angeles chamado Kozyndan - que faziam os coelhinhos urbanos da imagem acima - há uns dois anos, mas que a coisa não foi para frente. Depois, lançam os seus coelhinhos sem mencionar a chupada.

Esta é a nota que a Sony soltou depois que a acusação de plágio começou a circular:

There is suggestion that there is a similarity between an illustration by Kozyndan and the new Sony BRAVIA ‘Play-Doh’ advert. Sony would like to stress that the advert conception, creative and final animation is not based on any pre-existing artwork.

Sony Europe, its agency Fallon, production company Gorgeous, and animation company Passion Pictures, assert that the wave, whale and bunnies were arrived at without reference to these artists. In the original script, the rabbits were one of many creatures to cavort around a cityscape. In fact, the location was only finalised shortly before the shoot. The final creative, led by Juan Cabral at Fallon and director Frank Budgen at Gorgeous, was chosen to champion the brand and best reflect ‘colour.like.no.other’. Sony enjoys working with experienced and talented creatives and all involvement in a campaign is always credited.’

O pior é que essa história toda acaba detonando uma das melhores campanhas publicitárias recentes.

Via Gizmodo.

Graffiti pelo telefone

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Outro dia, vi um mobiliário urbano em Curitiba que imitava uma vitrine de sapatos. A idéia não estava muito bem produzida, mas pelo menos inovava ao colocar sapatos de verdade no anúncio. Como a lei Kassab parece que “pegou” pensei que fosse começar a ver bastante coisa diferente nos pontos de ônibus, mas não tenho visto nada de especial ultimamente.

O uso da mídia exterior ainda não se compara porém com algumas ações que têm rolado lá fora. Esta da Ecko Unlimited é um idéia alemã. A mídia exterior é na verdade uma tela LCD que recebe comandos via bluetooth do seu celular. Daí o pedestre pode fazer o seu graffiti virtual, até que outra pessoa apague e comece tudo de novo. Ou até que um grafiteiro de verdade jogue tinta por cima da tela LCD…

Caninos Brancos

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Cliquei alguns dias atrás em um desses endereços que costumo visitar de vez em quando, um blog americano de tendências (palavrinha infeliz com um baita cheiro de publicitário picareta, confesso) e encontrei um pequeno e misterioso post: wolf t-shirt, check out the comments. Traduzindo: camiseta do lobo, veja os comentários. Fisgado pelo nonsense da frase, levei o mouse ao link e de lá fui imediatamente transportado para um universo à parte.

O site não tem nada demais, é na verdade uma loja virtual que vende camisetas de diversas estampas, com aquele ícone de um carrinho de supermercado no canto superior. Mas foi ali que me deparei com o culto ao wolf t-shirt, que tentarei reproduzir aqui para os leitores que estiverem me acompanhando. Era mais ou menos como o fenômeno recente dos fatos sobre o ator americano Chuck Norris, a diferença é que aquela camiseta seria capaz de transformar um cidadão comum em uma máquina de sexo.

O restante do texto aqui.