Escreve que eu te leio.

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Tem gente que faz graça. Outros anunciam vagas de trabalho. Tem uns que dão conselhos. E até mesmo, alguns que revelam intimidades! Definitivamente, os “tag lines” dos mensageiros instantâneos tornaram-se os melhores canais de “manifestação instantânea” online. Estão se transformando numa espécie de “phrase book” dinâmico da era moderna.

Mas, tem gente que vai além e acaba revelando talento pra coisa. Tem um amigo webdesigner que se revelou um mestre na arte de escrever taglines surrealistas. Todo dia, presto atenção e morro de rir com as mensagens malucas do Cesão. Aí vão algumas recentes:

1. Retrocagote, a descagada. 2. Gorgolejos abissais, plasticidade subversiva. 3. Que seu último suspiro inale meu flato. 4. O demônio do maldizer mora no esgoto do meu coração. 5. Um gole de pus de dentro do penico da desesperança. 6. Arroto, o suspiro das suas entranhas. 7. Quem tem pau vai à Augusta. 8. Spárcagos, o gladiador bunda suja. 9. Pombros, o menino com ombros de pombo. 10. Destintestino - a gastromaldição.

A Maldição dos Antenados.

Outro dia entrevistei um candidato para a criação. Ele me disse que sua principal qualidade é ser antenado. Nesse momento, me caiu uma ficha e eu respondi. “Filho, sinto muito por você. Espero que essa maldição passe logo e você possa criar algo novo pra gente”.

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De repente, realizei que os vangloriosos antenados são na verdade gravadores e repetidores daquilo que os concorrentes fizeram e tiveram sucesso. São registros ambulantes de um passado recente. Não servem sequer como registro daquilo que não deu certo. Os antenados não captam isso.

Será que é difícil demais inventar sem ver o do vizinho? Dá pra pensar em algo absurdamente inédito sem iniciar sugestionado um processo de criação?

Por exemplo, tem coisa pior que fazer brainstorming com um grupo bem antenado? É um horror. É uma disputa de quem viu mais, acessou mais, lembra mais. No final o mais brilhante propõe algo que é a mistura de 2 ou 3 cases citados.

Há uma semana atrás fiz um brainstorming com um cara da área comercial. O sujeito é o mais desantenado possível no tema pirotecnias da internet. O cara é simplesmente criativo, inventivo. Foi um sucesso. O cara imaginava coisas desprendidas de ideias pré concebidas. Parecia uma criança imaginando livremente.

O candidato que me disser que não é antenado mas que acima disso pensa, inventa e inova, ganha a vaga.

Ranking das Melhores Agências para se Trabalhar em 2007

Toda vez que vejo estes clássicos rankings da Você S/A, Exame e cia. penso que gostaria de ver algo parecido só de agências. O que eu gostaria mesmo, era de ver as agências de propaganda no ranking das empresas em geral. Difícil.

Daí, faço aqui minha enquete.
Qual, na sua opinião, é a melhor agência para se trabalhar?
Sua agência reembolsa a Domino’s Pizza quando você trabalha até altas horas?

Acho que para empresas que comercializam capital intelectual como agências de propaganda, o desenvolvimento de RH é muito primitivo.

A agência que, assim como um Google da vida, descobrir que inovar em RH significa atrair melhores talentos, e mais, significa reter talentos por razões intangíveis e não por dinheiro, vai se dar muito bem.

Usuários pressionam. Jobs responde.

Como vocês leram no post do Daniel, abaixo, os compradores precoces do iPhone ficaram malucos com a repentina queda de 200 dólares no preço do modelo de 8Gb. Não é para menos. Num dia você paga 599 e no outro, anunciam o novo valor, 399. A Nokia não perdeu tempo, mandou guerrilha pra cima da Apple, e, os usuários não economizaram em posts, e-mails e tudo mais que se pode fazer em um ambiente de comunicação bidirecional.

Hoje, li um destaque na capa do site da Apple sobre a resposta de Stevie Jobs aos compradores do iPhone. Achei muito legal. Ele explica o porque da redução e dá 100 dólares em “rebate” para gastar na Apple Store.

Jobs responde

Não que as palavras e o crédito dado por Jobs tenham me impressionado. Nada disso. O que chamou muito minha atenção é a velocidade e a dinâmica de ataque e resposta das empresas. A Apple pisa na bola num dia. No outro o concorrente incendeia a internet. No outro os clientes se mobilizam. No outro a Jobs recua. Demais!

Consumo, comunicação e concorrência na era digital. Show.

4 anos sem grana…

… sem briefing, sem revisor mal humorado, sem ROI, sem mega reuniões, sem ser proativo pra ninguém, sem fazer followup, sem bajular o estagiário do cliente, sem preencher timesheet, sem passar pela Berrini, sem ler MMonline.

Dois dos melhores criativos que já conheci em toda minha carreira, após passarem por grande agências e trabalharem e estudarem no exterior, decidiram sair fora do sistema e se dedicaram a um projeto próprio. De arte. Que envolve cultura local, assistência social e inclusão.

Foram buscar parcerias na raça e conseguiram espaço na Cartoon Network, que apostou no projeto.
Veja um trecho do making neste “embed” e não perca a exibição em setembro.

Aposto que o projeto vai pra frente, e que os caras vão faturar 4 anos de grana em uma tacada só. Sem briefings, sem chefes malucos, sem ter que puxar saco de cliente, sem timesheet. E, sobretudo, felizes.

Vejo aí um dilema que faz parte da vida de muitos criativos: faço a arte que me da prazer e fico meio sem grana ou caio de cabeça no esquema de agência pra faturar mais?

Será que é possível unir o útil ao agradável?
Vejam o filme.

Renan, Pan e Tam

A sobreposição de informação produz uma espécie de amnésia instantânea na cabeça dos espectadores. O maior escândalo de corrupção da história do país é rapidamente dispersado pelo maior evento esportivo que logo em seguida é posto de lado pelo mais terrível acidente aéreo da nação.

Se isso ocorre tão nitidamente com acontecimentos desse calibre, imaginem a volatilidade das mensagens das campanhas que colocamos no ar. Como fixar nossas ideias através da comunicação? Martelando de hora em hora, pra vencer a corrida da sobreposição? Caro, hein?

Que tal construir uma cultura, a longo prazo? Red Bull está indo por aí.
Precisamos de propaganda? Marcas paramentadas de cultura e atributos intangíveis se auto sustentam?

“Não se assustem. Apenas montado no Brasil”.

Voei de Pittsbourgh para Nova Iorque pela JetBlue. Sensacional.
A empresa que falou: Não sou nem a barata e nem a chic. Sou boa e barata.

Fizeram um acordo com a DirectTV que permite que os passageiros assistam 36 canais de TV ao vivo em pleno voo. Descobri que a TV, o zapping de canais e o avião foram feitos um para o outro (assisti pesca mortal na Discovery).

Mas, o mais legal, o mais empolgante de tudo, foi embarcar no nosso EMB 190 da Embraer. Que orgulho. Me dá mais orgulho que o Ronaldo e que o João Gilberto juntos. Fazer um jato para 100 passageiros não é mole.

Minha ilusão de que o Brasil é uma potência durou até eu ler o guia de segurança que fica nas poltronas. Em letras garrafais ele dizia: “This aircraft is ASSEMBLED in Brazil”. Como querendo dizer: não entrem em pânico, a tecnologia é americana.

Cheguei no Brasil e enquanto percorria a Marginal Tietê vindo de Cumbica, pensei no que posso fazer para que nossa propaganda e internet sejam referências em inovação como a JetBlue e não apenas “assembled” no Brasil e copiada dos gringos.

Carreira de modelo também nas agências.

Quantas pessoas de 60 anos você vê trabalhando na sua agência?
Ok. E de 50 anos?

Alguém aí já viu algum sujeito que se aposentou numa agência de propaganda? Bom, começa que pra isso o cara tem que ter carteira assinada.

Estou realmente preocupado com a longevidade dos profissionais do nosso ramo. Começo a acreditar que nossa carreira é como de modelo. É curta.

Tem publicitário que abre a própria agência e se dá bem. E o resto? Conheço um que abriu um petshop no Itaim. Tá indo bem. Mais tranquilo do que o outro que abriu a agência.

Não sei se abro minha própria agência ou um petshop, mas sei que devemos pensar no caso, não acham?

Alter ego Corporativo

Acho que começo a compreender a “Second life Mania” dentro das empresas: A versão oficial e consciente é atingir um nicho de público através de uma interface inovadora, cheia de experiências interessantes. Bacana.

Mas, suspeito que exista algo mais por trás de tanta vontade de estar presente neste ambiente, também conhecido como o “Atari do Matrix”.

Aterego

Sabe aquele garoto franzino, de óculos, execrado na escola, ruim de bola e tímido com as garotas? Pois é. No Second life, ele será provavelmente musculoso e falastrão. Os psicólogos e antropólogos de plantão explicam tudo isso.

Recentemente, tenho recebido pedidos de alguns clientes que me fazem pensar que o efeito alter ego ocorre também com empresas.

Tudo que o gerente de marketing não pode fazer na vida real ele quer fazer no Second life.
Outro dia, um cliente me pediu para construir um Estádio no Second life com o nome de sua empresa. Mais tarde descobri que ele lutou meses a fio para convencer o diretor a patrocinar o Campeonato Paulista sem sucesso.

Há umas semanas atrás outro cliente me ligou desesperado: “Pitchu, preciso estar no Second life urgentemente. Preciso dar uma cara jovem pra minha marca. No SL eu posso ser uma Nike”. Também tratava-se de um pobre gerente que não conseguia escapar de uma diretriz global super careta.

Enfim, percebo que o SL é uma espécie de ambiente onde tudo que é impossível no mundo real pode ser feito. Para indivíduos e empresas. É o lugar onde todos se libertam das barreiras impostas por si próprios.

Quem não tem coragem de fazer no mundo real, quer fazer no mundo da fantasia online.

Play Station 3 – Mais que oficialmente no Brasil

Aqui tem PS3

Por que diabos a Sony não comercializa no Brasil seu console de vídeo game Play Station? Um país tão jovem, tão consumidor de novidades eletrônicas. Por que será? Ah! Já sei. O mercado com poder de compra é uma minoria esmagadora. Sim, é verdade. Mas, espere um momento. Esta minoria é do tamanho da Espanha. Será que vendem PS3 na Espanha? Muita calma nessa hora. PS3 é bem caro. É para a minoria das minorias. Bom, ainda assim, temos uma Bélgica por aqui. E, será que no país da Bang&Olufsen, a Sony vende seu PS3?

Tudo isso foi só pra contar que um dia desses, conversei seriamente sobre esse assunto com um amigo que trabalha na Sony do Brasil. É óbvio que não direi quem é o fulano.

Ele me contou algo realmente impressionante. Disse que a Sony jamais trará para nosso país o Play Station pois aqui já se encontra o “sistema de importação, distribuição, garantia e assistência técnica mais eficiente do mundo”.
Para a Sony, o que importa é fabricar e vender. Recolher quase 80% de impostos é tarefa do governo. Uma vez que existe toda uma cadeia dedicada a contrabandear, distribuir, dar garantia e prestar todo tipo de assistência, a Sony não tem com o que se preocupar.

Hoje em dia, no Promocenter e cia ltda, vende-se mais Play Stations do que na Bélgica, disse o amigo, sem que a fabricante japonesa tenha que investir em uma rede de distribuição e de serviços e sem que os preços tornem-se proibitivos com a mega tributação do governo Brasileiro. Diga-se de passagem, aí encontra-se a raiz de todo o problema. Assunto para um outro post.