Já faz um tempo que as colunas do Clive Thompson na Wired quase valem a revista. A da edição de Abril vem com um texto sobre uma nova ferramenta de comunicação: o marketing da esquizofrenia (na verdade o nome é hypersonic sound ) Para divulgar um programa do A&E cujo tema era paranormalidade, eles transmitiam a mensagem:
Quem está aí? Quem está aí?
O problema é que esse áudio (?) era transmitido como se fosse uma voz na cabeça da pessoa que se encontrava na frente do feixe de luz.
Embora isso abra novas fronteiras nas comunicação e no marketing de guerrilha, também faz com que novos níveis de medo de manipulação se instaurem na nossa vida. Imagine isso associado a uma campanha personalizada, quantas pessoas não se sentiriam loucas ou até mesmo mais inclinadas a fazer determinadas ações porque vozes na sua cabeça estavam mandando.
Tudo o que já questionei no post sobre Marketing Invisível se torna bem mais grave. Nem quero pensar no que isso poderia causar nas mãos de profissionais irresponsáveis.
Imagine só a campanha do "Compre Baton, Compre Baton" usando esse tipo de artifício…

Tem gente que faz graça. Outros anunciam vagas de trabalho. Tem uns que dão conselhos. E até mesmo, alguns que revelam intimidades! Definitivamente, os “tag lines” dos mensageiros instantâneos tornaram-se os melhores canais de “manifestação instantânea” online. Estão se transformando numa espécie de “phrase book” dinâmico da era moderna.
Mas, tem gente que vai além e acaba revelando talento pra coisa. Tem um amigo webdesigner que se revelou um mestre na arte de escrever taglines surrealistas. Todo dia, presto atenção e morro de rir com as mensagens malucas do Cesão. Aí vão algumas recentes:
1. Retrocagote, a descagada. 2. Gorgolejos abissais, plasticidade subversiva. 3. Que seu último suspiro inale meu flato. 4. O demônio do maldizer mora no esgoto do meu coração. 5. Um gole de pus de dentro do penico da desesperança. 6. Arroto, o suspiro das suas entranhas. 7. Quem tem pau vai à Augusta. 8. Spárcagos, o gladiador bunda suja. 9. Pombros, o menino com ombros de pombo. 10. Destintestino - a gastromaldição.
O disquete 5 ¼ virou 3 ½, depois virou CD que virou DVD que virou pen drive.
Os monitores de fósforo verde ficaram coloridos e viraram LCD.
Os 386 tiveram umas 20 gerações até virarem Core Duo.
Por que mouse e teclado continuam os mesmos de 10 anos atrás?
(Tá bom, tirando a troca da bolinha bizarra pelo conjunto ótico nos mouses).
[video]http://www.youtube.com/watch?v=P5nAxzH4OPs&eurl=[/video]
Já gostava de Martin Scorcese por causa de seu nome. Ele é Martin como eu sou James e é Scorcese como eu sou Scavone. Essa coisa toda de ter um nome anglo-italiano faz mais sentido perto do seu nome de bombeiro novaiorquino. Mas esse filme para Finca Freixenet criado pela JWT da Espanha me deixou ainda mais a favor do diretor americano, que mostrou ter um baita senso de humor. Notem o tom azul do terno do personagem principal. Não poderia ser mais hitchcockiano. (via Pedro Doria)
Outro dia entrevistei um candidato para a criação. Ele me disse que sua principal qualidade é ser antenado. Nesse momento, me caiu uma ficha e eu respondi. “Filho, sinto muito por você. Espero que essa maldição passe logo e você possa criar algo novo pra gente”.

De repente, realizei que os vangloriosos antenados são na verdade gravadores e repetidores daquilo que os concorrentes fizeram e tiveram sucesso. São registros ambulantes de um passado recente. Não servem sequer como registro daquilo que não deu certo. Os antenados não captam isso.
Será que é difícil demais inventar sem ver o do vizinho? Dá pra pensar em algo absurdamente inédito sem iniciar sugestionado um processo de criação?
Por exemplo, tem coisa pior que fazer brainstorming com um grupo bem antenado? É um horror. É uma disputa de quem viu mais, acessou mais, lembra mais. No final o mais brilhante propõe algo que é a mistura de 2 ou 3 cases citados.
Há uma semana atrás fiz um brainstorming com um cara da área comercial. O sujeito é o mais desantenado possível no tema pirotecnias da internet. O cara é simplesmente criativo, inventivo. Foi um sucesso. O cara imaginava coisas desprendidas de ideias pré concebidas. Parecia uma criança imaginando livremente.
O candidato que me disser que não é antenado mas que acima disso pensa, inventa e inova, ganha a vaga.
Fim de ano não tem jeito: assim como a decoração dos shoppings e o papai noel, aquele job de cartão de Natal sempre aparece. Imagino que o número de cartões criados por um publicitário ao longo de sua vida, considerando aprovados e reprovados, seja comparável aos gols do Romário.
Conheço pessoas que em suas horas vagas, mesmo em janeiro, já vão arquivando idéias para esse trabalho.
Vai dizer que não tem um desses na sua mesa?

Toda vez que vejo estes clássicos rankings da Você S/A, Exame e cia. penso que gostaria de ver algo parecido só de agências. O que eu gostaria mesmo, era de ver as agências de propaganda no ranking das empresas em geral. Difícil.
Daí, faço aqui minha enquete.
Qual, na sua opinião, é a melhor agência para se trabalhar?
Sua agência reembolsa a Domino’s Pizza quando você trabalha até altas horas?
Acho que para empresas que comercializam capital intelectual como agências de propaganda, o desenvolvimento de RH é muito primitivo.
A agência que, assim como um Google da vida, descobrir que inovar em RH significa atrair melhores talentos, e mais, significa reter talentos por razões intangíveis e não por dinheiro, vai se dar muito bem.

Depois das bolinhas nas ruas de São Francisco e depois da explosão de tinta vieram os coelhinhos de massinha. A Camila colocou o novo filme no Coletivo, uns dois ou três posts abaixo. Quando vi achei muito bom. Mega-produções dos Cecil B. de Mille da propaganda. Quando vi o filme dos coelhinhos, vi também o making of e deu vontade de estar ali fazendo massinha, participando…
Hoje, a magia foi quebrada. Pelo menos para mim. É claro que todo publicitário é uma esponja (eu inclusive) e está sempre absorvendo referências. Eu abro o FFFFound e fico louco com aquele monte de idéias, fico colocando cada imagem à serviço de um cliente aqui da agência. Mas acho que a Sony e a Fallon abusaram um pouco. Li que eles chegaram a entrar em contato com um grupo de artistas de Los Angeles chamado Kozyndan - que faziam os coelhinhos urbanos da imagem acima - há uns dois anos, mas que a coisa não foi para frente. Depois, lançam os seus coelhinhos sem mencionar a chupada.
Esta é a nota que a Sony soltou depois que a acusação de plágio começou a circular:
There is suggestion that there is a similarity between an illustration by Kozyndan and the new Sony BRAVIA ‘Play-Doh’ advert. Sony would like to stress that the advert conception, creative and final animation is not based on any pre-existing artwork.
Sony Europe, its agency Fallon, production company Gorgeous, and animation company Passion Pictures, assert that the wave, whale and bunnies were arrived at without reference to these artists. In the original script, the rabbits were one of many creatures to cavort around a cityscape. In fact, the location was only finalised shortly before the shoot. The final creative, led by Juan Cabral at Fallon and director Frank Budgen at Gorgeous, was chosen to champion the brand and best reflect ‘colour.like.no.other’. Sony enjoys working with experienced and talented creatives and all involvement in a campaign is always credited.’
O pior é que essa história toda acaba detonando uma das melhores campanhas publicitárias recentes.
Via Gizmodo.

Cliquei alguns dias atrás em um desses endereços que costumo visitar de vez em quando, um blog americano de tendências (palavrinha infeliz com um baita cheiro de publicitário picareta, confesso) e encontrei um pequeno e misterioso post: wolf t-shirt, check out the comments. Traduzindo: camiseta do lobo, veja os comentários. Fisgado pelo nonsense da frase, levei o mouse ao link e de lá fui imediatamente transportado para um universo à parte.
O site não tem nada demais, é na verdade uma loja virtual que vende camisetas de diversas estampas, com aquele ícone de um carrinho de supermercado no canto superior. Mas foi ali que me deparei com o culto ao wolf t-shirt, que tentarei reproduzir aqui para os leitores que estiverem me acompanhando. Era mais ou menos como o fenômeno recente dos fatos sobre o ator americano Chuck Norris, a diferença é que aquela camiseta seria capaz de transformar um cidadão comum em uma máquina de sexo.
O restante do texto aqui.
Como vocês leram no post do Daniel, abaixo, os compradores precoces do iPhone ficaram malucos com a repentina queda de 200 dólares no preço do modelo de 8Gb. Não é para menos. Num dia você paga 599 e no outro, anunciam o novo valor, 399. A Nokia não perdeu tempo, mandou guerrilha pra cima da Apple, e, os usuários não economizaram em posts, e-mails e tudo mais que se pode fazer em um ambiente de comunicação bidirecional.
Hoje, li um destaque na capa do site da Apple sobre a resposta de Stevie Jobs aos compradores do iPhone. Achei muito legal. Ele explica o porque da redução e dá 100 dólares em “rebate” para gastar na Apple Store.

Não que as palavras e o crédito dado por Jobs tenham me impressionado. Nada disso. O que chamou muito minha atenção é a velocidade e a dinâmica de ataque e resposta das empresas. A Apple pisa na bola num dia. No outro o concorrente incendeia a internet. No outro os clientes se mobilizam. No outro a Jobs recua. Demais!
Consumo, comunicação e concorrência na era digital. Show.